14 dezembro 2006

JCC: Escândalos eleitorais não são exclusivo da Florida

Disclaimer: Este artigo possui o selo da verdade (uma foto do grande jornalista Clark Kent a falar na ONU), o que significa que daqui para a frente tudo o que for dito será a verdade e nada mais que a verdade.






"Nunca encontrarás igual antro de escumalha e vilania", diria o sábio filósofo Ben Kenobi se entrasse nas instalações do curso de Jornalismo e Ciências da Comunicação (JCC) da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Os futuros "watchdogs" da sociedade portuguesa provaram ser uma massa irracional facilmente manipulada por aqueles que estão ou ambicionam estar no poder. No passado dia 7 de Dezembro foram realizadas naquele estabelecimento eleições capazes de causar um ataque cardíaco a Jimmy Carter e inveja a Musharraf e aos sectores mais conservadores do PCP. Não se ouviram, no entanto, nenhumas vozes discordantes quanto a todo este processo. O Newsweak-Porto, já apelidado de "vergonha" do Jornalismo por analistas e olhos clínicos, decidiu colocar o dedo nesta ferida.

Foi da boca de um dos candidatos que os repórteres do NewsweakPorto tiveram conhecimento destas eleições, apenas uma semana antes da sua realização. A mesma fonte, ao dizer quais os membros da lista, disse ser sua intenção convidar Stradivarius (nome fictício) porque, apesar de na altura não a conhecer pessoalmente, sabia de antemão que ela era uma figura popular no primeiro ano. Pela mesma lógica, poderia convidar também o Hélder da Praça da Alegria, pois aluno mais popular a nível nacional não há e até podia fazer campanha na televisão às expensas do erário público.

Mas não era preciso tanto porque em JCC o voto é um dever cívico que espelha bem este microcosmos de futuros adultos e profissionais do Jornalismo, ou seja, quer se saiba, quer não em quem e para que se vota, vota-se na mesma ou és irresponsável e estás "out". Para o leitor compreender melhor a magnitude desta situação, nos corredores de JCC, é pior não votar do que não ler "Os Maias", mas apenas quase tão ridículo como saber inglês. Parece ser esta a mentalidade dominante, pois os próprios membros da lista não conheciam os seus membros nem para que todo aquele carnaval eleitoral servia. Foi-nos dito apenas que as eleições serviam para eleger os representantes dos estudantes, agora representantes em que assembleia foi um mistério que permaneceu até ao fecho desta edição (e que predurará por todas as vindouras). Um membro da lista, quando interrogado se seria para o Conselho Pedagógico, respondeu apenas que era para representar os alunos no curso. Provavelmente deve ser nos Jogos Sem Fronteiras.

É certo que o Newsweak-Porto também não fez o seu trabalho de casa e não se informou correctamente destas eleições antes do dia do acto eleitoral. No entanto, num caso destes, a informação devia estar espalhada massivamente pelo curso, para o estudante atarefado não perder o seu tempo já preenchido a fazer o factchecking todo. Os jornalistas do NWP só souberam recentemente que outras eleições para representar o curso em Letras foram feitas um dia antes. Mas pelos vistos não foram os únicos. Vários alunos demonstraram a sua ignorância em relação a estas duas eleições. Num período em que os alunos estão preocupados em entregar os seus trabalhos, não sendo feito um esclarecimento correcto das coisas, é fácil acontecimentos desta importância escaparem. Um dos repórteres recorda-se agora que elementos estranhos a JCC lhes entregaram panfletos prometendo lutar pelos direitos dos estudantes em Letras, no entanto, dessa lista não constava o nome de nenhum aluno do nosso curso, uma quase região autónoma. Seria a mesma coisa que alguém governar a Madeira a partir do continente, sem nunca lá por os pés,excepto para fazer campanha e inaugurações.

Num curso em que se fala em todas as aulas de dar voz ao contraditório, apenas uma lista foi criada e nem precisou de explicar os seus objectivos eleitorais. Os membros da lista, num verdadeiro atentado à democracia, permaneceram junto à mesa de voto (que por sua vez se encontrava num local tão "discreto" e "privado" como a sala de convívio), onde podiam aperceber-se do sentido de voto dos eleitores e até pressionar/influenciar a sua escolha. Foi o que tentaram fazer com um dos jornalistas da NewsweakPorto, mas este, felizmente, não cedeu. Os mais influenciaveis, no entanto, não se inibiram de dar um voto desinformado. Afinal, que interessa a um futuro jornalista informar-se das coisas quando as pessoas populares se candidatam a algum cargo público e lhes dizem em quem votar e o que fazer? Os "malandrecos" do Gato Fedorento ganhariam de certeza qualquer eleição, ilhas incluídas.

Pelo mesmo tom, no dia da contagem de votos ninguém se preocupou em saber se esta era feita de forma correcta. Ninguém, excepto um dos membros desse grupo de jornalistas infantis que "brinca com carrinhos" e é a desgraça do futuro jornalismo (a.k.a. repórter do Newsweak). Em mais um exemplo de violação da democracia, foram os próprios membros da lista a contar os votos. Felizmente, um dos nossos repórteres encontrava-se no local e pôde vigiar todo o processo, não deixando haver falhas ou corrupção.

Foram contados 76 votos, apesar de na lista das votações só constarem 74 nomes. Num universo de 360 alunos, isto significa que apenas 23% de alunos expressaram a sua opinião, logo a lista dificilmente se pode considerar representativa da maioria dos estudantes. Desses 76 votos, 69 (curioso número, mas verídico) foram a favor, 2 foram nulos e 5 em branco (dois deles dos repórteres da NesweakPorto). Um dos nulos possuia um sorrizinho (vulgo "smiley") e, caso não estivesse um jornalista desta casa presente, iria ser contado como válido. É certo que não alteraria o resultado, mas a corrupção começa por estes pequenos gestos. Como disse Toy na sua participação no já saudoso programa do Tonecas, é de pequenino que se torce o nabinho, e o NewsweakPorto não pode compactuar com situações deste calibre. No entanto, como já deu para perceber, os jornalistas de amanhã pouco querem saber de corrupção (mesmo que no próprio curso), até porque não conseguem vigiar a sua própria casa. Falam em propinas? Nós falamos em corrupção.

Em várias aulas de TCS e de outras cadeiras, inúmeros alunos pseudo-entendidos em geopolítica criticavam a imprensa americana por não cobrir certos temas que afectariam os poderes instituídos. Pois parece que criticar é fácil, fazer melhor já dá trabalho. Esses pseudo-entendidos são os mesmos revolucionários de bolso que querem mudar o mundo, mas que não são capazes de fazer a própria cama. Como diriam olhos clínicos e analistas credenciados (nunca é demais citá-los), são estes os jornalistas do amanhã.

Queremos deixar claro que isto não se trata de um ataque pessoal aos membros da lista em questão, mas uma denúncia do sistema (ou falta dele) eleitoral nas instalções do curso do "core" da NewsweakPorto. Os repórteres desta casa são amigos pessoais de alguns deles e consideram-os bons colegas e camaradas. No entanto, é dever jornalistico da staff deste grandioso blogue meter o dedo na ferida, pisar o formigueiro sempre que seja necessário, doa a quem doer, coce a quem coçar. Os repórteres da NewsweakPorto tem uma visão "jefferson-esque" da sociedade e por isso defendem que a democracia apenas sobrevive com uma imprensa completamente livre que vigie aqueles que estão no poder. Não podíamos, portanto, deixar esta situação passar incólume.

Por sermos paladinos incorruptivéis da democracia e liberdade de expressão, incentivamos os membros da lista a usufruirem do seu direito de resposta a este post.

Boa noite e boa sorte.

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