10 março 2007

Música: Requiem Laus imitam 4Taste

Após terem assistido aos episódios das últimas semanas do seriado "Morangos com Açúcar", onde a banda residente actual - os 4Tatste - assinava com um agente holandês (convenientemente chamado "Van"), a banda de melodic-metal Requiem Laus, do Funchal, decidiu copiar a ideia.

A informação chegou ao NWP através de bulletins do Myspace (o HI5 dos ricos) e foi enviada por uma das "groupies" da banda. De notar que por entre os vários bulletins da dita fã se pode encontrar propaganda anti-pirataria que afirma que os downloads ilegais matam a música (apesar de nós, no NWP acharmos que são os Requiem Laus e outras bandas de "clonetroopers" os responsáveis pela morte lenta da música). Para falar a verdade, que conceito é esse de "matar a música"? Isso é sequer possível ou é mero jargão profissional? Apesar de o NWP já estar a par desta noticia desde 4 de Março, apenas a reporta agora devido ao facto de a agenda da semana anterior estar totalmente preenchida.

O bulletin providencia então quatro websítios onde a informação do contrato foi divulgada, sendo interessante reparar que o texto é igual ou muito semelhante nos quatro sites, o que comprova que todos vivem de "press releases", ao contrário do investigador-tipo NWP. No âmbito do curso de Jornalismo e Ciências da Comunicação esta foi uma evidência prática de grande importância a exportar para o próximo exame escrito. Podem confirmar a referida reciclagem aqui, aqui, aqui e aqui. De notar também o facto de o site "Brave Words" afirmar que os Requiem Laus têm sido uma parte vital na música portuguesa ("Requiem Laus has been a vital part of the Portuguese music scene"), frase que aparecerá em todas as gramáticas e livros de Português (A e B) em exercicios para os petizes detectarem hipérboles que são isso mesmo.

Quanto ao managment propriamente dito, a Strictly Heavy Managment (SHM) nada tem de semelhante à homónima dos 4taste (apesar de acreditarmos que houve birra dentro da banda por parte do membro que dantes também era manager e agora vê o seu poder e masculinidade, já um pouco duvidosa, afectada - certamente um dos guitarristas). A SHM é uma agência especializada nos já referidos "clone troopers" do metal: meninos e meninas todos vestidos de preto, cabeludos e por vezes também barbudos que apenas sabem grunhir. Não estamos a dizer que a banda açoriana não tem qualidade, já que não nos demos ao trabalho de gravar novas k7's. Além do mais, com a discografia de várias dezenas de álbuns de Frank Zappa, quem precisa de ouvir metal (seja ele qual for)? Ainda a propósito dos "clone troopers" do metal, quase invariavelmente o baterista é careca. Se o leitor não acreditar, a NWP desafia-vos a comprar a revista "Loud!" e em verem por vocês próprios.

Acerca dos Requiem Laus, podemos dizer que já deram um passo para o século XXI e criaram a sua própria entrada na Wikipedia, onde descobrimos que há muito tempo atrás numa galáxia distante se chamavam apenas Requiem. Isto, claro, apenas até descobrirem "ironicamente" (nas suas próprias palavras com sotaque insular) que isso já era cliché entre bandas de metal portuguesas. O nome Requiem vem de outro cliché, uma homenagem a Mozart, o Spielberg da música clássica (para os leigos, o compositor que toda a gente que não conhece mais nenhum afirma ser o seu preferido). Em entrevista ao programa Descarga Sonora, podcast que por pura coincidência é co-apresentado pela já mencionada "groupie", o vértice dos Requiem Laus admitiu sonhar fazer um dia um dueto com David Fonseca, o homem-sophisto que canta em inglês do segundo ciclo e que se encontra num feudo não declarado com Sam The Kid.

Sandra Silveiro, crítica de metal que não gosta nada do mainstream (se excluirmos, claro, System of a Down, Tim Burton, Hello Kitty, Tamagochis e Pucca) descreve os Requiem Laus como screamo-grind-crust-core-heavy-punk-hard-emo-glitch-power-melodic-metal, mas queixa-se que os poseurs os descrevem como metal-emo-hard-punk-heavy-core-crust-grind-screamo-melodic: "As pessoas dão muita importância a rótulos. Fuck yeah!".



Disclaimer: O NWP já possui alguma experiência em lidar com o "underserved sense of accomplishment" de algumas pessoas, portanto deixamos um recado musical - conveniente no mínimo - a todos que se possam sentir lesados com as "truthful words" do NWP:

They lived on a whole bunch of nothing
They thought they looked very good
They'd never ever worry
They were always in a hurry
To convince themselves that what they were
Was really very groovy
Yes, they believed in all the papers
And the magazines that defined their folklore
They could never laugh
At who or what they thought they were
Or even what they thought
They sorta oughta be

Frank Zappa, "We're Turning Again"

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